No outro dia, recebi um comentário no LinkedIn a perguntarem-me qual era o meu maior activo.
E para mim até foi bastante fácil responder: os dados que tenho das pessoas com quem trabalho.
E não me refiro aos posts nem aos seguidores. Refiro-me às conversas (gravadas, transcritas, processadas) que acumulei ao longo dos anos de trabalho com pessoas reais, sobre problemas reais e em contexto real. E isto é algo que é impossível de comprar, impossível de replicar e é o tipo de activo que a IA consegue transformar em algo que muda a forma como decides.
Sabes o que descobri quando parei de gravar e comecei a processar?
Hoje eu gravo tudo: sessões de mentoria, sessões de consultoria, entrevistas do Para Lá do Marketing. Quando estava na Swonkie e na Brinfer, gravava também reuniões de equipa, sessões com o C-level e reuniões com clientes e potenciais clientes. O meu objetivo não era ter um arquivo, mas pensar e ajudar a equipa a pensar melhor.
Quando comecei a organizar as transcrições e a alimentar um LLM com as mesmas, comecei e encontrar padrões que nem sempre estava à espera.
As pessoas que chegam à minha mentoria vêm por razões diferentes, dizem coisas diferentes e têm negócios diferentes. Mas quando olhei para os padrões (em vez de para as sessões individuais), havia uma pergunta por baixo de todas as outras:
Como crescer com estrutura suficiente para durar: sem me trair, sem me perder e sem me prender?
Com as transcrições e a IA, consegui chegar a uma frase e vinte dores diferentes (mas todas a responder ao mesmo problema central).
E isto não é óbvio quando estás dentro de uma sessão. Só fica visível quando tens dados suficientes para ver o padrão (e algo que os consegue processar sem se cansar).
Há quem chegue até mim a dizer que sabe que gera resultados nos clientes mas cobrar ou vender ainda activa culpa. Há quem me diga que o negócio funciona mas que não os liberta. Há quem saiba que tem muito mais para dar, e sinta que não o está a usar bem.
Eu não teria conseguido nomear isto sem as gravações. E não teria conseguido processar as gravações sem ajuda da IA.
Uma mentorada minha descobriu isto sobre si própria
Uma das pessoas com quem trabalho deu ao Claude todos os seus posts, newsletters e textos dos últimos anos.
Fez isso, não para fazer mais conteúdo, mas para perceber o que já tinha.
Isto porque, há coisas que sabemos sobre nós no fundo, mas não conseguimos nomear. E a IA fez isso por ela. Devolveu-lhe o seu próprio padrão de pensamento escrito de fora. A forma como estrutura argumentos. Os temas que aparecem sempre, mesmo quando o assunto parece diferente. A voz que tem quando escreve sem pensar que está a escrever.
Ver-te de fora com os teus próprios dados muda o que consegues ver.
Foi esta a distinção que mudou tudo
A maioria das pessoas usa IA generativa para fazer mais depressa o que já fazia. Eu uso para fazer perguntas que não conseguia fazer antes, porque não tinha forma de processar o volume de informação que tenho.
Uso o Clarify como CRM com todo o contexto de cada pessoa. Tenho o Claude integrado com o ClickUp, Notion, Substack e dados das redes sociais para perceber o que ressoa em diferentes plataformas. Não quero automatizar a criação de conteúdo, mas isto ajuda-me a ter uma visão que não cabe na minha cabeça sozinha.
A IA não pensa por mim. Cria é o espaço para eu pensar melhor.
Este é activo que quase ninguém está a construir
Um post no LinkedIn desaparece em 48 horas. Uma conversa mal registada desaparece na memória. Mas uma conversa gravada, transcrita e processada com processo e lógica torna-se conhecimento: sobre quem serves, o que precisam, o que ainda não existe para eles.
E é isso que o Substack também permite construir: um canal onde o teu pensamento fica, é indexado, trabalha por ti quando não estás a produzir, e pode ser encontrado por alguém que tem exactamente o teu problema daqui a dois anos.
O teu maior activo é o que acumulas e o que fazes com isso.
Os dados que acumulas sobre quem serves valem mais do que qualquer post que publicas. E a maioria ainda não percebeu isso.
O meu curso sobre Substack ensina a construir esse canal: desde a estrutura até à voz. Podes saber mais em dominaokaos.pt/substack-o-teu-canal
— Helena


