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Transcrição

Para Lá do Marketing com a Esther Liska

Quando a velocidade aumenta, a profundidade torna-se responsabilidade.

Quando o teu negócio acelera, a tua consciência tem de ir à frente

Há uma coisa que andamos a evitar dizer em voz alta:

Não é a IA que vai destruir equipas.
É a pressa.

A pressa de executar sem pensar.
De crescer sem estrutura.
De “parecer bem” antes de estar bem.

Foi por isso que convidei a Esther Liska para este episódio.
Para falarmos de liderança consciente (não como tendência, mas como requisito).

Porque hoje, sem alinhamento interno, escalar é só multiplicar desgaste.

O preço de não saberes quem és

A Esther disse uma coisa que devia ser repetida vezes sem fim:

Quando não sabes quem és, vais passar a vida a imitar alguém.

E isto aplica-se a:

  • líderes que se perdem em expectativas

  • empreendedores que correm atrás de modelos que não são deles

  • marcas que copiam linguagem e estéticas porque “está a resultar”

O problema de imitar é simples:
funciona durante um mês e cobra-te durante um ano.

Desalinhamento não é uma fase.
É um custo contínuo.

O corpo não te castiga. Informa-te

Houve um ponto que eu não quero que passe despercebido:

O corpo sabe antes de ti.

Dores de estômago ao domingo.
Ansiedade antes do trabalho.
Cansaço que não passa com descanso.

Isto não é fraqueza.
É um sinal.

Falámos de burnout como aquilo que é, na prática:
o resultado de “ser o sistema” durante demasiado tempo.

E a metáfora mais dura do episódio foi esta:

Uma cliente entrou em burnout.
Quando voltou, descobriu que tinham contratado quatro pessoas para fazer o trabalho que ela fazia sozinha.

Quatro.

Portanto a pergunta é óbvia (e desconfortável):

Estás a ser indispensável…
ou estás a adiar o momento de pôr limites?

Energia feminina e masculina: equilíbrio, não personagem

Nesta conversa entrámos num tema que muitas pessoas evitam por medo de simplificar:

Energia feminina e masculina não é género.
É polaridade.

É a capacidade de executar sem perder sensibilidade.
De liderar sem endurecer.
De cuidar sem te anulares.

Muitas mulheres aprenderam a “masculinizar” a presença para serem respeitadas.
E muitos homens têm medo de mostrar empatia por parecer “menos líder”.

Só que liderança consciente é isto:

Não é suavidade.
É integração.

Porque quando lideras só com um lado, lideras com metade do teu poder.

Se és solopreneur, isto vai poupar-te anos

A Esther partilhou uma forma simples de pensar o negócio, sem romantizar “fazer tudo”:

Um negócio exige três forças:

  • Criadora (ideias)

  • Executora (processo)

  • Conectora (relação e comunicação)

Nem toda a gente tem as três em força.
E muita gente está a tentar escalar… com culpa.

O problema é quando delegas aquilo que te dá vida, só porque alguém disse que “tens de delegar”.

Nem toda a gente quer escalar para ter 20 pessoas.
Às vezes o objetivo é:

  • ter tempo

  • ter saúde

  • conseguir ser mãe sem viver em modo sobrevivência

  • crescer sem te perderes

E isso não é falta de ambição.
É clareza.

A verdade desconfortável sobre marca e conteúdo

A pergunta final do podcast nesta temporada é sempre a mesma:

Qual é uma verdade desconfortável sobre marcas ou negócio que pouca gente gosta de ouvir, mas precisamos falar mais?

A resposta da Esther foi direta:

A maioria das pessoas está a construir marca a partir do que “supostamente resulta”… e não a partir do que é verdadeiro.

E isto é desconfortável por uma razão específica:

Ser verdadeiro expõe-te ao julgamento.
Mas não ser verdadeiro rouba-te energia todos os dias.

O futuro vai pertencer a quem conseguir desacelerar com intenção

Quanto mais o mundo acelera, mais “humano” vira luxo.

E liderança consciente é, no fundo, isto:

  • saber dizer não

  • saber pedir ajuda

  • saber reconhecer padrões

  • saber escolher o que é teu

  • E largar o que é só pressão externa

Porque crescer dá para crescer.
O que não dá é crescer com o sistema interno em falência.


Próximo passo

Três perguntas para ti. E responde sem florear:

  • O que é que estou a fazer por obrigação que já não está alinhado comigo?

  • Onde é que estou a tentar provar valor… em vez de criar valor?

  • Que conversa difícil estou a adiar (e a pagar com energia)?

🎙️ Sobre este episódio do Para Lá do Marketing

Neste episódio conversei com Esther Liska, mentora de liderança consciente e autora, sobre alinhamento interno, energia feminina e masculina, burnout, solopreneurs e o que significa crescer sem perder a vida pessoal.


👤 Sobre a convidada

Esther Liska é mentora de liderança consciente e trabalha com executivos, empreendedores e equipas que querem crescer sem adoecer. Integra ferramentas de autoconhecimento, perfis comportamentais e consciência corporal para ajudar líderes a tomar decisões mais alinhadas e sustentáveis.


✍️ Sobre a autora

Helena Dias é estratega de marketing e autora do Para Lá do Marketing. Trabalha com fundadores, equipas e marcas que já perceberam que fazer mais deixou de ser resposta - e que crescer exige estrutura, critério e decisões claras.

O seu trabalho cruza marca, receita e comunidade, com foco em desenhar sistemas de crescimento que fazem sentido para o negócio, em vez de acumular táticas isoladas. Defende que o maior problema do marketing atual não são as ferramentas, mas o modelo mental com que continuam a ser usadas.

É fundadora do Marketing em Escala, um projecto que nasce em oposição ao ruído, às fórmulas rápidas e à obsessão por volume. E que existe para ajudar negócios a crescer com intenção, clareza e durabilidade.

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